Dados: uma commodity valiosa que ajudou a salvar vidas na pandemia

O novo petróleo. É assim que os dados são chamados hoje, depois de empresas como Amazon e Google terem passado gigantes do petróleo na lista de empresas mais valiosas do mundo.

Não é à toa. Só o Facebook gera mais de 500TB de dados a cada 24 horas. São 2,7 bilhões de ‘curtir’ e 300 milhões de novas fotos postadas no serviço diariamente, contabilizando mais de 2,5 bilhões de novos conteúdos processados pelo sistema no período.

Diferente de outras commodities, como petróleo e soja, que dependem de um processo caro e complexo de extração e tratamento para serem transformados numa variedade de produtos, dados importantes para organizações são produzidos a todo momento e podem ser armazenados de forma acessível. Usando meios tecnológicos, é possível refiná-los e transformá-los em produtos e riquezas materiais e imateriais.

Claro, há preocupações legítimas sobre como os gigantes da tecnologia estão explorando o que sabem sobre nós. Mas, ao mesmo tempo, há inúmeras maneiras pelas quais todos esses dados melhoraram o mundo. “Nossos dados não têm potencial apenas para induzir ao consumismo e a ideologias políticas. Eles possuem uma relevância e um potencial de transformar a vida das pessoas”, diz Allan Costa, especialista em segurança da informação.

Allan cita a importância dos dados no período de pandemia. Segundo ele, a integração de dados coletados sobre o coronavírus tem sido aliada do poder público na tomada de decisões para combater o avanço da doença. “Ao reunir em um só lugar e cruzar informações, como localização de contaminados, movimentação de pessoas nas ruas, ocupação e distribuição de leitos, os gestores podem definir mais facilmente se intensificam ou relaxam medidas, por exemplo”, diz ele. O governo de São Paulo e a prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, firmaram parcerias com empresas de telefonia.

Porém, Allan Costa aponta a falta de preparação do governo federal e de estados e municípios para lidar com processamento e análise de dados. “Por isso é que todos foram surpreendidos com a rapidez da proliferação do coronavírus. Se houvesse uma estratégia com base de dados, estaríamos mais preparados porque conseguiríamos prever o cenário”, afirma o especialista em segurança da informação.

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