Exaustão de telas aumenta as chances de roubos

Como a fadiga de pessoas e o excesso de videoconferências estão facilitando roubos de informações em que tudo o que o hacker precisa fazer é perguntar.

A explosão sem precedentes do uso de ferramentas de videoconferência em resposta à pandemia mostrou em escala mundial o que sempre foi verdade: interações virtuais podem ser extremamente duras para o cérebro. “Estamos longe das pessoas que gostamos e, agora, fadigados. O hacker nunca encontrou um terreno tão fértil”, explica Allan Costa, especialista em inovação, tecnologia e cibersegurança.

As pessoas estão desgastadas por reuniões virtuais intermináveis e as razões por trás disso incluem hiper foco, informações demais correndo em paralelo e excesso de agendamento. “Os humanos se comunicam mesmo quando estão quietos”, segundo Allan. “Durante uma conversa presencial, o cérebro se concentra em parte nas palavras que estão sendo ditas, mas também se dedica a decifrar dezenas de pistas não verbais”, diz ele.

E por causa da fadiga, as pessoas estão mais propensas a serem atacadas nesse contexto de pandemia. É aí que entra a engenharia social.

Engenharia social é o que o hacker usa para roubar informações sem precisar de códigos ou invasões agressivas por meio de ferramentas. “Na cibersegurança, há um lema que explica como hackers conseguem tirar tantos dados sigilosos de nós sem muito esforço: o jeito mais fácil de conseguir uma informação é perguntar”, conta Allan Costa.

A maioria dos casos é aquele em que o criminoso virtual se passa por um conhecido do usuário e pergunta dados sigilosos. “O número de casos e de vítimas aumentou assustadoramente. E hoje sabemos que a exaustão, fruto do home office, está ligado a esse aumento”.

Outro ponto é o excesso de informação e de agendas. A fatiga reduz a atenção e, portanto, a capacidade de percepção. “Fica mais difícil se concentrar em tudo o que surge na tela quando você está exausto. E, assim, as pessoas se tornam vítimas fáceis”, diz Allan Costa.

Ao lado do Skype, Houseparty e Microsoft Teams, a plataforma de reuniões virtuais Zoom cresceu durante a pandemia, passando de 10 milhões de participantes de reuniões diárias em dezembro para mais de 200 milhões em março.

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